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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A Direção Espiritual - Um Dom de Deus para todos

                                 


A Direção Espiritual.
Todos sabem que a placa de trânsito aponta um sentido na vida, uma direção a ser seguida e tomada. Necessária para que possamos chegar ao destino, ao local desejado, à meta estipulada.
Aquela pessoa que quer fazer um caminho ou chegar a algum lugar sem seguir a placa, a sinalização, está correndo grandes perigos. Ou vai se perder no trajeto ou vai errar o caminho certo. Ou vai à contramão ou pior ainda, sequer chegará ao destino – pois vai morrer antes nas fatalidades do percurso, ou levar outros a morte.
Vivemos um tempo de rebeldia, de desobediência, de falta de ordem, de anarquia, de vontade própria e, sobretudo de descuido de regras, de não querer "ver as placas" do caminho.
Digo isso tanto para as pessoas que dirigem sem documentação para dirigir, quanto àquelas pessoas que também querem dirigir suas vidas para qualquer lugar, sem obedecer regras, dirigindo a vida apenas para "sentir o vento no rosto" sem qualquer responsabilidade com Deus, consigo e com o outro.
A verdade é que não gostamos de obedecer a ordens, não queremos que nos ensinem nada, afinal já somos adultos, já sabemos discernir as coisas (ou pensamos em nosso orgulho que sabemos).
Somos orgulhosos e prepotentes.
Não foi à toa que Jesus Cristo disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida"(Jo 14,6). Ele colocou-se como o caminho para nossas vidas, Ele é a placa, o sinal, a seta, o destino, o caminho. Um caminho cheio de verdade, pleno, e também o local de nosso destino: a vida! Tanto aqui como na eternidade.
Também com relação à Cristo, as pessoas pensam que podem optar, escolher, seguir ou não seguir o caminho, a direção apresentada por Ele ou pela Igreja ou pela Moral. Outras pessoas seguem o caminho, mas desistem. Outras desanimam, pensam ser um caminho muito exigente, uma estrada muito estreita, muito trabalhosa e mudam a direção de suas vidas, indo para outros caminhos, mal sinalizados, sem placas, sem setas, cheios de pedras, buracos e infelizmente vales fundos e tenebrosos.
O Evangelho é o caminho dado por Jesus. Nas narrativas de Sua vida terrena temos muitas experiências e ensinamentos de como o Mestre nos ensina a avançar pelo caminho. Ele nos dirige, é verdade. Basta a nossa boa vontade em aceitar isso.
Mas, como saber se estamos no caminho certo? Como saber o que Jesus está de fato nos indicando?
Uma tentação de nossos tempos é achar que não precisamos de pessoas que nos ensinem os caminhos. Não precisamos de homens mais experientes que nós e por isso mesmo corremos mais perigos na caminhada.
Vocês sentem uma dor, ou a chegada de alguma doença e o que fazem? Ir à farmácia para comprar o seu remédio. Não ir ao médico.
Quando algo está quebrado em nossa casa, nós queremos fazer ou consertar, às vezes agravando o problema, pois não queremos chamar um técnico.
Quando estamos desamparados da vida, inseguros, deprimidos, procuramos usar as "muletas" mais comuns: drogas, bebida, cigarros – pois nos custa muito admitir e procurar um psicólogo ou psiquiatra.
Quando compramos um carro, não esperamos para fazer corretamente a escola de direção e preferimos chamar aquele melhor amigo que nos ensina os "truques" certos para dirigir melhor. Uma ilusão.
Do mesmo modo, na vida espiritual, pensamos que não precisamos de ajuda. Ou queremos ler a Bíblia a nosso modo, sozinhos, ou deixamos a Bíblia na gaveta e raramente vamos à Santa Eucaristia. Somos auto-suficientes!
Todo cristão necessita de um guia que lhe ofereça os passos seguros para avançar na vida espiritual. Este homem deve ser um sacerdote, um padre qualificado para isso.
A direção espiritual é algo mais que a confissão dos pecados. A confissão dos pecados é algo muito necessário, é a limpeza do coração e da alma, é quando o viajante deixa no caminho os pesados fardos que carregava as coisas que não eram úteis, tornando a viagem mais tranqüila.
Jesus mesmo nos disse que deveríamos ir a Ele, quando estivéssemos cansados e sobrecarregados – isso é a confissão. Mas, a direção espiritual como eu dizia, é algo mais contínuo, que nos ajuda não somente a "largar o pesado fardo", mas, a saber, com clareza aonde queremos ir e como chegar. A direção espiritual é a placa, a seta, o sinal visual na estrada – que dissemos anteriormente.
Quem nos ensina e nos mostra? O Padre. O sacerdote. O Mestre espiritual.
Devemos escolher uma pessoa experimentada, madura, tranqüila, que nos transmita a paz e segurança.
Deveria ser um padre que, pelo seu exemplo de vida, possa ele mesmo, nos conduzir, não somente por palavras, mas por atitudes.
Eu falo por experiência. Na minha juventude, durante mais de 15 anos fiz direção espiritual com um monge de uma Ordem monástica das mais exigentes. Era uma alegria!Um contentamento estar com ele.
A direção espiritual é eficaz e boa quando feita pessoalmente, olhos nos olhos, pessoa a pessoa. Mas, em caso de impedimento ou por circunstâncias pode ser feita por cartas, correspondências, e de modo mais atual, até por e-mail.
É muito bom que o sacerdote seja o mesmo para a confissão e para a direção espiritual. Em raras exceções podemos ter um bom resultado recorrendo a padres distintos.
A direção espiritual é como ir a um médico a fim de ser examinado. Bom mesmo se for um médico de família.
Com nosso diretor espiritual acontece o mesmo, comparativamente. Devemos abrir nosso coração e alma, tirar a máscara de nosso rosto e pedir um exame de nosso interior e de nossa alma.
Com o passar do tempo o diretor e o médico já podem dizer facilmente quem somos e qual o sintoma da doença que atinge nossa alma ou nosso corpo.
Também a direção espiritual é para toda a vida, em todo o tempo. Eu continuo tendo o meu diretor de alma, de coração, que agora é outro monge, bem experimentado.
É vaidade nossa, julgar que não precisamos ou que estamos prontos. Dos 8 aos 80 anos necessitamos de direção espiritual, tanto quanto de médicos.
Médicos recorrem a médicos quando doentes. Também padres e monges devem recorrer a outros padres e monges quando doentes da alma.
Vocês com o tempo perceberão a alegria e também a grande graça que Deus nos concede tendo um diretor espiritual. Chegamos a sentir desejo de logo voltar a estar com ele.
O tempo, o prazo? Depende de você mesmo e dele. Assim como quando vamos ao médico, devemos retornar em breve para avaliação, do mesmo modo, devemos voltar sempre ao diretor espiritual.
Ele nos abençoa em nome de Jesus. Jesus também o Médico das Almas.
Termino este breve artigo, pedindo a Deus que vocês possam retomar o caminho da salvação, contando com bons sacerdotes e que possam encontrar um bom diretor espiritual – que os auxilie – a chegar ao bom porto.
                                        

Sb 7, 7-10.15-16
«Amei a sabedoria, mais do que a saúde e a beleza» Leitura do Livro da Sabedoria
Orei e foi-me dada a prudência; implorei e veio a mim o espírito de sabedoria.
Preferi-a aos cetros e aos tronos e, em sua comparação, considerei a riqueza como nada.
Não a equiparei à pedra mais preciosa, pois todo o ouro, à vista dela, não passa de um pouco de areia e, comparada com ela, a prata é considerada como lodo. Amei-a mais do que a saúde e a beleza e decidi tê-la como luz, porque o seu brilho jamais se extingue.
Deus me conceda a graça de falar dela como Ele quer e ter pensamentos dignos dos seus dons, porque é Ele quem orienta a sabedoria, é Ele quem corrige os sábios.
Em suas mãos estamos nós e as nossas palavras, a nossa inteligência e a nossa habilidade.
- Palavra do Senhor
- Graças a Deus.

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