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domingo, 24 de abril de 2011

Cristo Ressuscitou! Aleluia! Aleluia! Aleluia!






Jesus Ressuscitado visita os Discípulos no Sepulcro

Os evangelhos são proclamação de Fé em Cristo Ressuscitado. Sim, não apenas os relatos da Ressurreição, mas todo o texto dos evangelhos é proclamação da Boa Nova da Páscoa de Cristo. É sempre Jesus Ressuscitado que aparece em cada página dos evangelhos. Foi à luz da Experiência Pascal que eles surgiram, e foi para difundir essa luz que eles se estruturaram em catequeses, narrações, parábolas e sinais. Os apóstolos leram toda a sua experiência histórica com Jesus à luz da Experiência Pascal, e contaram essa história sempre com a Ressurreição como cenário de fundo.
É como Ressuscitado que Jesus faz ver os cegos, andar os coxos e falar os mudos. É como Ressuscitado que Jesus caminha sobre o mar e dá a Pedro o poder de o fazer também. É como Ressuscitado que Jesus sacia de Pão Vivo as multidões e se transfigura sobre o monte Tabor. É como Ressuscitado que Jesus perdoa os pecados e transforma a água da Antiga Aliança no Vinho inebriante da Nova Aliança que é o Espírito Santo. É à luz da Ressurreição de Cristo que os evangelistas narram a sua Paixão, o seu Batismo e até o seu Nascimento! A Experiência Pascal dos discípulos, “três dias depois” da sua morte-Ressurreição, é o centro e a chave de leitura a partir do qual interpretam toda a história.
No Novo Testamento, a história divide-se em “Antes da Experiência Pascal” e “Depois da Experiência Pascal”.

A Ressurreição de Jesus é a sua incorporação plena no seio da Família Divina e a realização definitiva da sua Missão de Mediador humano-divino do dom do Espírito Santo.

O mistério da nossa Salvação, que é a Assunção da Humanidade na Família Divina, aconteceu no momento da Morte-Ressurreição-Dom do Espírito de Jesus Cristo. Morte, Ressurreição e Dom do Espírito Santo são as três dimensões do acontecimento salvador em Cristo.
Jesus ressuscitou no próprio acto de morrer, e derramou o Espírito Santo na sua Ressurreição.
Se muitas vezes no Novo Testamento estas três dimensões do mistério da nossa Salvação aparecem separadas no tempo, é por motivos históricos ou catequéticos. Por exemplo, no livro dos Atos dos Apóstolos, o dom do Espírito
Santo é narrado apenas no dia de Pentecostes, cinqüenta dias depois da Páscoa! Isto para simbolizar que o Espírito Santo é a “Lei” da Nova Aliança, já que os judeus celebravam nesse dia o dom da Lei da Antiga Aliança a Moisés, no Monte Sinai.
Além disto, também narram a Ascensão de Jesus apenas quarenta dias depois da Ressurreição. O número 40, na bíblia, tem o simbolismo de “preparação de acontecimentos importantes”. Aqui simboliza a preparação da missão da Igreja como continuadora de Cristo pela força do Espírito Santo.
Do mesmo modo, os evangelhos falam sempre da Ressurreição “ao terceiro dia”. Porquê? Porque foi quando eles fizeram a Experiência Pascal! Depois, ao escreverem os evangelhos, vão colocar também nas palavras de Jesus a sua própria experiência. No entanto, estes “três dias” não são simplesmente contagem cronológica, como se Jesus
estivesse a “passar tempo” entre a morte e a Ressurreição! Por isso, no evangelho de Lucas, Jesus diz ao Bom Ladrão: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso!” (Lc 23, 43) Ou então, no evangelho de Mateus: “Quando Jesus morreu, os sepulcros começaram a abrir-se e os mortos
começaram a ressuscitar!” (Mt 27, 50-52) E, no evangelho de João, é clara a linguagem usada para falar do acontecimento salvador da morte de Jesus: “inclinando a cabeça, Jesus ofereceu o Espírito!” (Jo 19, 30)
É importante compreendermos a diferença entre Ressurreição de Jesus e Experiência Pascal dos Apóstolos. A Ressurreição é o outro lado da morte! E o dom do Espírito é uma conseqüência da Ressurreição, pela comunhão interior de Jesus ressuscitado com toda a Humanidade.
Mas nada disto é evidente! Por isso, do acontecimento à experiência há um tempo. Foram três dias…
Três dias em que a vida dos discípulos esteve encerrada num Sepulcro. Não físico… Um Sepulcro daqueles do Coração, um Sepulcro escuro por dentro, apertado em três paredes que eram a Tristeza, a Desilusão e o Medo. Um Sepulcro com estas três paredes frias e escuras tapado por uma grande pedra que era a Morte de Jesus. Tirada esta pedra, seria possível saltar fora do sepulcro. Mas quem a poderia remover? Grande como era…
A morte de Jesus tinha-os mergulhado na mais profunda Tristeza. Ele tinha sido a pessoa mais fantástica que tinham conhecido. Por ele tinham abdicado de quase tudo, tinham corrido riscos e enfrentado dissabores. E morreu da pior maneira que pode morrer um Amigo e um Mestre…
A morte de Jesus tinha-os introduzido na maior Desilusão das suas vidas, porque acabar numa cruz era a certeza de que ele, afinal, não era o Messias que eles julgavam! Era apenas mais um Mestre, um Profeta… Especial, sem dúvida, mas não o Messias…
E além de tudo isto, a morte de Jesus tinha-os enchido de Medo pelas conseqüências que os discípulos teriam que enfrentar se fossem descobertos pelas autoridades judaicas!

Foi neste sepulcro de Tristeza, Desilusão e Medo que os discípulos viveram três dias, encerrados pela grande pedra da Morte de Jesus.

Juntos no Sepulcro, conversavam  sobre tudo o que tinha acontecido, meditavam em todas as palavras do Mestre, recordavam os seus gestos, liam os seus sinais… Este foi o contexto privilegiado para que Jesus Ressuscitado, pela inspiração interior do Espírito Santo, fizesse compreender ao Coração deles que a morte não tinha acabado com a sua Vida nem a sua Missão, mas antes a tinha Transfigurado e Plenificado.

A Vida e Missão de Jesus, agora Ressuscitado, continuavam pela ação do Espírito Santo e pela mediação dos seus discípulos!

Num ápice, compreenderam toda a Vida de Jesus de um jeito novo! Os últimos três anos de convivência com ele foram relidos e interpretados de maneira nova, à luz da sua Vida continuada para além da morte com o poder do Espírito Santo! Todas as suas parábolas, palavras, gestos, sinais e decisões ganharam um alcance novo, um alcance eterno e
vitorioso sobre todas sãs coisas!

A Tristeza transformou-se em Júbilo, a Desilusão transformou-se em Exultação e o Medo deu lugar à Liberdade!

Porque a Pedra do Sepulcro – a morte de Jesus – tinha sido removida! Compreenderam os discípulos que a morte de Jesus tinha sido a palavra máxima da sua fidelidade, mas que a palavra máxima da fidelidade de Deus ainda estava por dizer: foi a Ressurreição, a vitória sobre a morte!
A Experiência Pascal dos discípulos “ao terceiro dia” é uma experiência comunitária da presença de Cristo Vivo pela inspiração do Espírito Santo da qual brota a consciência da continuidade da sua Missão.
“Ao terceiro dia”, os discípulos saíram do Sepulcro porque nos seus Corações foi removida a Pedra tumular que lá os encerrava. A morte de Jesus tinha sido Páscoa-Passagem, e não fim!
“Ao terceiro dia”, vemo-los sem tristeza, nem desilusão nem medo! Anunciam a Ressurreição de Jesus com desassombro mesmo “debaixo das barbas” dos que o tinham mandado matar. Já não havia nada a temer, nem a chorar!
O Evangelho da Vida tinha que ser anunciado. Eles sabiam que era o Evangelho da Vida, porque os tinha feito passar a eles próprios da morte à Vida, do Sepulcro à Liberdade! Jesus era o Senhor da Vida e o Doador da Vida pelo Espírito! Era urgente anunciar e testemunhar a Vida Vivificante de Jesus Ressuscitado!
Mas este anúncio não era da ordem das evidências. Anunciavam-no como uma Certeza, mas não o podiam impor como uma evidência.





A única maneira de provar a Verdade do Evangelho da Vida era estar disposto a Viver e Morrer por ele até ao fim!

E muitos tiveram um fim bem parecido com o do Mestre… Não há outra forma de provar a Verdade senão entregar-se por ela!
Mas, o que é que isso interessa?! A Pedra que encerrava todos os Sepulcros foi removida, a morte foi vencida!
Eles já sabiam o que era estarem fechados no Sepulcro da Tristeza, da Desilusão e do Medo, encerrados sob o peso da Morte. Mas Jesus Ressuscitado tinha visitado o seu Sepulcro e tinha-os tirado de lá, Renascidos e Libertos na Vitalidade do Espírito da Vida.
Este era o Evangelho que tinha que ser anunciado. “Ao terceiro dia”, tudo começara de novo!
Este é o Evangelho que tem que continuar a ser anunciado, na certeza de que o “terceiro dia” da nossa Vida acontece quando deixamos que Jesus Ressuscitado nos liberte dos nossos Sepulcros e se torne princípio de Vida Nova em nós pela ação inesgotável do seu Espírito.


 A ressurreição de Jesus não é a epopéia de um sobrevivente!

Para a maior parte dos cristãos, a “notícia” de Jesus Ressuscitado não é, nem de longe, uma Boa Nova de Alegria para a vida que faça vibrar as cordas mais fundas e sensíveis do coração. Infelizmente, a celebração da Páscoa não é para muitos cristãos mais que uma celebração ritual de um acontecimento que se diz ter acontecido com Jesus…
Porque é que o coração de tantos cristãos ainda não vibra com a Boa Nova da Ressurreição de Jesus? Porque olham para Jesus ressuscitado como se olha para um sobrevivente. E isto faz com que se entre nesta lógica: “Cristo ressuscitou! Ainda bem para ele!”
Sim, para muitos, a ressurreição de Jesus Cristo é um assunto “dele”, não “nosso”… Nós celebramos isso porque… “porque sim… sempre foi assim…”  Já é altura de nos darmos conta de que  ANUNCIAR A RESSURREIÇÃO DE JESUS NÃO É PROCLAMÁ-LO COMO SOBREVIVENTE MAS SIM COMO DADOR DE VIDA!!!
Jesus não passou pela morte como um sobrevivente, mas como um doador de Vida! Não deu um saltinho sobre o muro da morte… Derrubou-o de uma vez por todas! Jesus não ressuscitou “sozinho”. Nele, todos ressuscitamos!
“Eu sou o Caminho!!! Eu sou a Porta!!! Eu sou a Vida!!!”
Falamos tantas vezes de Jesus Ressuscitado como falaríamos de um herói de guerra, que tivesse passado por uma batalha duríssima e, inimaginavelmente, tivesse sobrevivido, revivido depois da morte! E celebramos o herói, o sobrevivente, a sua vitória e a sua alegria… não a nossa.
Jesus não sobrevive à morte. Derrota-a!
E Jesus não derrotou a “sua” morte. Jesus derrotou a morte! A sua e a nossa. Em Jesus Ressuscitado ficou aberto para nós o Caminho que conduz todos os Homens ao regaço amoroso de Deus Pai e ao Seu Amor Pleno por Deus Filho no desvelo e inspiração maternais do Espírito Santo.
Em Jesus ressuscitado, a morte converte-se em Parto Definitivo da vida que nos faz nascer para a Festa da Plenitude de Deus!
Porque no momento da ressurreição de Jesus, toda a Humanidade fica interiormente transformada. Pelo acontecimento da morte, Jesus fica liberto das coordenadas espaço-temporais próprias da corporeidade e entra em comunhão universal com toda a humanidade que o precedera, enriquecendo-a com a sua originalidade pessoal: ser animado interiormente pelo Espírito Santo que num vínculo indissolúvel com o Filho Eterno, Segunda Pessoa da Trindade, fazia dele Filho de Deus.
Nesse momento, toda a Humanidade recebe de Cristo o Espírito Santo que faz dela Humano-Divina e capaz de dizer “em espírito e em verdade” a Deus Pai: “ABBA! Papá!” (Rm 8, 14-16)
Nesse momento ficaram abertas as “portas do paraíso, fechadas ao Homem desde Adão” e todos os que já viviam nas coordenadas da eternidade foram nesse momento assumidos na Festa da Colheita da “Árvore da Vida, a que estava no centro do Paraíso” (Gen 3, 24). “Em verdade te digo: hoje mesmo, estarás comigo no Paraíso…” (Lc 23, 43)
Nesse momento, o Espírito Santo começou a circular nas “veias” interiores-pessoais de toda a humanidade, de tal modo que todas as opções, atitudes, decisões e gestos humanizantes são por ele otimizados ao dar-lhes uma densidade humano-divina.
Nesse momento, Deus fez todos os Homens membros da Sua própria Família, ao dar-lhe o Seu “Sangue”, o Espírito Santo, que faz de nós filhos em relação a Deus Pai e irmãos em relação a Deus Filho.
Nesse momento, descobrimos a face escondida da Cruz e da fidelidade de Jesus: Jesus não só deu a sua vida, mas deu-nos a sua Vida!
Nesse momento nos damos conta de que a vida pode ser mais do que fazemos dela… de que Viver é Ser Pessoa, e Ser Pessoa significa Construir-se Pessoa, em atitudes e opções humanizantes moldadas pelo amor e pelo bem-querer.
Nesse momento “rasga-se o véu” e percebemos que a morte é um fim, mas não é o fim! É o fim da história e, nela, o fim do tempo da nossa construção pessoal; mas não é o fim da Vida! Antes, é o parto definitivo para a Plenitude da Vida!
Porque Deus é Amor, a morte não podia levar a melhor!
A ressurreição de Jesus, Doador de Vida, é a certeza de que a palavra definitiva da nossa vida repousa serena no coração de Deus, e nunca poderá ser muito diferente disto: “Amo-te!!! Assumo o que és e plenificou em Mim. Sê em Mim, Vive em Mim… Nem imaginas a Festa que te está preparada…”

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