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quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Santo Terço



Terço católico
Pe. J. B. Libanio

                   O rosário nasceu como a oração dos simples em contraste com a recitação do Ofício divino, em latim, por parte dos monges letrados. Seu valor espiritual ultrapassou a fronteira fechada dos mosteiros para alcançar a imensa massa de fieis. Tornou-se devoção privilegiada na Igreja. João Paulo II gostava de rezá-lo em comunhão com milhões e milhões de pessoas na Rádio ou TV.
                   Conjuga vários fatores que alimentam a espiritualidade. Gira em torno das duas orações mais importantes para os católicos: Pai-nosso e ave-maria. Ambas de origem bíblica. O pai-nosso nasce dos lábios de Jesus. A ave-maria compõe elementos da Escritura com a tradição da devoção a Maria. O fiel bebe de genuina fonte evangélica.
                   Oração vocal. A repetição das ave-marias tem produzido duplo efeito. Para alguns se torna pesada. A cultura moderna feita de surpresa, de rápidas informações, de novidades irrepetíveis se choca com uma oração, aparentemente monótona. E assim muitos desistem de rezá-la. No entanto, outros descobrem nela força mântrica de lentamente elevar o espírito até Deus. Além do mais, associou-se à recitação vocal a meditação dos mistérios da vida de Jesus com acento na presença de Maria. Assim se conjugam dois elementos importantes para a oração: palavra e contemplação.
                   O provérbio latino nos adverte para o perigo da “corrupção do ótimo, tornar-se péssima”. A oração do rosário se faz com o auxílio do objeto do terço. A sua materialidade só tem importância porque ajuda o fiel a rezar, a orientar-se na sequência das ave-marias e das dezenas do rosário. Ora, quando as pessoas atribuem mais importância à coisa material do terço a rezá-lo, corrompe-se o sentido da oração e entra-se no âmbito da magia, da desvirtuação da religião. O terço perde o sentido simbólico de objeto orientado para a reza e se transforma até mesmo em fetiche ou acessório de moda.
                   Assim os atos espirituais correm o risco de desviarem-se da finalidade principal de ligar o fiel com o mundo divino em gesto de agradecimento, de entrega, de esperança para se tornarem por eles mesmos poderes sobre o próprio Deus. Nisso consiste a magia. Pecado que aparece já nos inícios do Cristianismo, quando Simão mago quis comprar de Pedro o poder de comunicar o Espírito Santo (At 8, 18-24). Comprar ou atribuir poder manipulador sobre Deus a um objeto significa a mesma coisa. Ou também avilta-se a espiritualidade quando se comercializam objetos sagrados sem nenhuma perspectiva religiosa. Ou mesmo quando eles não passam de amuletos de enfeite.
                   Não se responde a tal tentação, abolindo os objetos, mas dando-lhes de novo o significado primeiro de instrumentos para atos espirituais. A consciência aguda de tais riscos defende-nos de degradá-los e leva-nos a mostrar às pessoas a importância dos sinais, do visível para conduzir-nos aos significados espirituais.

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