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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A Importância do Voto

Não é fora de propósito repetir, sobre as eleições, as sábias normas dadas em outra época por S. Exa. Dom Antônio de Castro Mayer, então bispo diocesano de Campos. São princípios que devem orientar os católicos para que procedam de acordo com a consciência cristã na opção política. Ei-las:
Costuma-se distinguir ação política e ação político partidária. É admissível a participação do fiel na vida política do país, sem que ele necessariamente se engaje num determinado partido político.
Mas a abstenção político partidária não pode levar o católico a ser indiferente a todos os partidos. Pois há agremiações políticas que merecem explícita censura da Igreja, como o Partido Comunista: este partido, e quem o favorecer, foi objeto de reprovação e penas decretadas pela Santa Sé.
E quando a Igreja assume tal posição em matéria política é porque está em perigo a própria organização e condução da Coisa Pública: um partido político merece condenação da Igreja quando seus estatutos e sua ideologia afirmam algo contra as exigências do Direito Natural, da Moral Natural e da Doutrina revelada por Deus.
Alguns católicos porém, não desejando de modo algum o totalitarismo comunista e escandalizados com o abuso do capitalismo selvagem, esquecendo-se no entanto da estruturação orgânica preconizada pela Igreja para uma sociedade justa e cristã (Leão XIII e Pio XI), apontam como única alternativa válida, o socialismo.
Mas Pio XI, na encíclica Quadragésimo Anno, em que especifica a distinção entre Comunismo e Socialismo, já observava que “socialismo religioso, socialismo católico são contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista”. Na ordem econômica, o Papa reivindica a legitimidade do direito de propriedade pessoal e individual como postulado da dignidade humana. E expõe com clareza a oposição radical entre o Socialismo e o Catolicismo, oriunda da própria filosofia em que se inspira e que constitui a alma do Socialismo. Esse é o motivo por que, dizia o Papa, deve o fiel rejeitar o Socialismo mesmo quando se aproxima da verdade e da justiça pregadas pela Igreja, “pois ele concebe a sociedade de modo completamente avesso à verdade cristã”.
E Pio XII, já em 14 de Setembro de 1952, declara que no Socialismo “soçobram os mais altos valores: a dignidade da família e a salvação eterna das almas”.
Bem, alguns vão protestar contra o que dizemos sustentando que o comunismo e o socialismo mudaram: “Comunista não come criancinhas, como diziam!”. Não come mas mata! Pois o candidato do Partido Comunista, ateu confesso, defende abertamente o aborto, que, cristã e cientificamente falando, é um infanticídio, inteiramente contrário à moral, ao direito natural e à doutrina revelada por Deus.
 
Donde vem o poder?
 Diz a falsa teoria sociológica de Jean-Jacques Rousseau, teoria esta posta em prática pela Revolução Francesa, que todo o poder vem do povo, residindo neste a fonte de toda a autoridade civil.
Esta teoria tomou corpo em todas as democracias modernas. E desta doutrina procedem muitos desvarios: o homem acha-se dono de si mesmo e dos seus destinos, faz e desfaz suas próprias leis, sem levar na menor consideração a lei de Deus. É o célebre mito da soberania popular. É o homem que quer se fazer deus. Aliás esta sedutora tentação data dos primórdios da humanidade, quando a serpente infernal, sugerindo aos nossos primeiros pais a revolta contra Deus, segredou-lhes: “Sereis como deuses...!”. E as conseqüências deste engodo do pai da mentira nós sofremos até hoje!
Mas contra esta tese da origem popular do poder está a palavra divina: “Não há autoridade que não venha de Deus” (ROM. 13, 1). Todo o poder vem de Deus. Os homens poderão até escolher o nome, a pessoa do governante, como acontece no regime democrático, mas quem lhe dá o poder e autoridade é Deus. E isso em qualquer forma de governo, monárquico, aristocrático ou democrático.
Daí o respeito que devemos ter à autoridade constituída: o seu poder vem de Deus.
Nosso Senhor reconheceu esta origem do poder até no governador romano Pôncio Pilatos que iniquamente o julgava (São João 19, 11). Ele estava abusando de um poder recebido de Deus.
Segue-se disso a gravidade do abuso de poder: o governante está extravasando, abusando de um dom, de um carisma, de um poder que lhe foi dado pelo próprio Deus. Que severas contas darão a Deus os governantes!
E o pior castigo que Deus pode dar a um povo infiel são os maus governantes: “Farei que tenham meninos por príncipes, e pirralhos que lhes dêem ordens” (Isaías 3, 4).
É o célebre adágio popular: o povo tem o governo que merece.
Que Nossa Senhora Aparecida nos proteja e dê sempre bons governantes à nossa Pátria!
 
A esquerda e a direita
 Aí estão duas etiquetas largamente usadas no mundo político, religioso, artístico etc. Costumam apelidar intelectuais de esquerda (“que honra”), políticos de direita (“que horror”), e assim por diante. Mas, na verdade, direita e esquerda são termos nebulosos, equívocos, geradores de confusão.
A própria distinção entre direita e esquerda é geralmente iniciativa da esquerda, tomada pela esquerda em proveito da esquerda.
Existe uma direita, muito temerosa de sê-lo, com muito receio de ser chamada de direita. Por isso mesmo costuma se intitular a si própria de “centro”, ou talvez “centro direita”, tal é o pavor que inspira o termo “direita”.
Costumam aureolar – e geralmente é a esquerda que o faz – o conceito de esquerda com certa simpatia. Ser de esquerda é ser aberto, favorável ao progresso, com uma moral mais moderna, mais jovem, científico, anti-ditatorial, mais democrático.
Agora, ser de direita, para essa mentalidade fabricada, é ser radical, totalitário, ditatorial, autoritário, militarista, antiprogressista, fascista, nazista etc.
Tais são os rótulos, criados pela esquerda e em proveito da esquerda. O interessante é que a esquerda se designa a si mesma e a direita é designada pela esquerda. É da “direita” aquele que a esquerda designa ou denuncia como tal. E ela empurra para a direita, por tática, pessoas e movimentos que de direita nada têm. É a esquerda que lança o jogo “esquerda contra a direita” e fixa as regras do jogo.
Que grande festa! Lançam para a direita o ex-socialista Mussolini. Representam a Hitler, demagogo socialista e revolucionário, como a um homem de direita. Como a um homem de direita a Charles de Gaulle, que chegou ao poder em 1944 com os comunistas e governando com eles.
Outra mentira é dizer que o ditatorialismo seja nota característica da direita. O comunismo sempre foi ditatorial e se define a si mesmo como “ditadura do proletariado”. Fidel Castro é esquerdista e ditador. Gorbachev, Deng, Ciao Ping, Daniel Ortega etc. são ditadores e são de esquerda. Esquerda é que é sinônimo de ditadura e totalitarismo e não a direita como querem nos fazer crer.
Também não é verdade que o militarismo seja sempre de direita. Fidel, Mao, Stalin, Daniel Ortega só se apresentam, ou se apresentavam, fardados.
Outro equívoco fabricado pela esquerda é designar os regimes nazista e fascista como direitistas. E até os colocam como “extrema direita”! Mas, na verdade, nazismo e fascismo estatizaram a economia e a educação, portanto com todas as características da esquerda.
 
Um grande equívoco
A história é mestra da vida. E os erros do passado nos ajudam a evitar os fracassos futuros.
Segundo declarações dos Padres cubanos, a revolução de Fidel Castro teve, no seu início e durante todo o período mais duro da conquista do poder, a colaboração franca, corajosa e entusiasta de católicos. A maioria dos guerrilheiros de Sierra Maestra era constituída de católicos, que lutavam com o rosário na mão, animados e acompanhados por Padres católicos.
Por que os católicos colaboram com a implantação de um regime comunista anti-cristão? Porque, iludidos pelas aparências, caíram num grave equívoco. Na aparência, os católicos e os comunistas tinham o mesmo objetivo: libertar a pátria de um governo tirânico. Mas na verdade, enquanto os católicos desejavam acabar com os desmandos de um regime corrupto, os Fidel-castristas queriam sim, aproveitando-se daquela situação, implantar um outro regime, mais tirânico ainda, no qual seriam os donos de uma nação escravizada, subordinada a Moscou. Os comunistas de então, como fazem os de agora, exploravam as injustiças que havia e lamentavam os desmandos, angariando assim a adesão de muita gente de reta intenção. E terminavam por apresentar o comunismo como solução para os problemas e erros, não declarando, porém, que ele é uma escravidão e tirania muito pior. E foi assim que um país de imensa maioria católica caiu sob a dominação do comunismo.
Nosso Senhor ordenou que aliássemos a simplicidade da pomba à prudência da serpente. Tenhamos cuidado com os que se aproveitam de situações adversas para apresentar o comunismo e o socialismo como solução. O engodo é sempre o mesmo: a luta contra a miséria e a injustiça, que realmente existem, e cujo combate comove todas as pessoas de bem. E assim, essas pessoas de boa fé, não vendo que por detrás de considerações humanitárias há um fim perverso, acabam dando a sua colaboração para a implantação do regime comunista que, ao invés de corrigir os abusos, se constituirá na mais tremenda ditadura e tirania.
 
Reforma agrária – reflexões
 A Igreja como guardiã da Lei Natural e da Lei Positiva de Deus, defende o direito de propriedade, como aliás o defende também a nossa Carta Magna. O 7º Mandamento da Lei de Deus “Não furtar”, supõe evidentemente que cada um tenha o direito de possuir o que é seu. Verdade reafirmada no 10º Mandamento: “Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem a sua casa, nem o seu campo... nem o seu boi... nem coisa alguma que lhe pertença” (Dt. 5, 21).
Ademais, a Bíblia narra que os Patriarcas possuíam grandes propriedades com a bênção de Deus; por exemplo, Abraão, Lot e Jó.
Assim, a Reforma Agrária compulsória, de estilo socialista e confiscatório, não encontra respaldo na doutrina cristã e na Lei de Deus.
Além disso, apresentar a Reforma Agrária como solução para os problemas sociais é mera ilusão. O meio universal de prover às necessidades da vida é o trabalho, quer se exerça em terreno próprio quer no alheio. Por isso a Igreja advoga que haja trabalho remunerado com justiça. E o justo salário, que a doutrina católica ensina e com o qual onera a consciência dos patrões, é o salário que seja suficiente para o sustento do trabalhador e de sua família e lhe dê condições de formar um modesto pecúlio que lhe ofereça tranqüilidade no futuro.
Mas o trabalho não é só trabalho manual. Também o trabalho intelectual, técnico, administrativo, do proprietário por exemplo, é trabalho e deve ser defendido e bem remunerado.
Outrossim a Reforma Agrária confiscatória e fragmentadora até hoje não deu certo em parte alguma. Estão aí os exemplos de Cuba, El Salvador e do México, onde tiveram que vender os minifúndios distribuídos para aglutiná-los novamente porque a produção se transformara num fracasso. Ademais a insegurança e inquietação provocadas pelo espectro da Reforma Agrária conduz à queda de produção, cujo saldo é a fome, sem falar no recrudescimento da luta de classes, com mortos e feridos cujas notícias enchem nossos jornais.
Ao invés da Reforma Agrária que só traria prejuízos, o que o Brasil precisa é de uma política agrária, uma verdadeira reforma agrícola, baseada na função subsidiária do Estado, com maior assistência ao homem do campo, técnica e financeiramente, revisão da legislação trabalhista tornando-a igualmente justa para patrões e empregados; maior segurança aos pequenos e médios proprietários; maio difusão da parceria e do colonato; maior fixação do trabalhador na terra, propiciando melhor atendimento sanitário, hospitalar e educacional dos proprietários aos seus colonos e suas famílias, resolvendo assim em grande parte o problema dos bóias-frias; incentivo ao cooperativismo baseado na livre iniciativa e no direito de propriedade; tudo isso impregnado da verdadeira caridade e fraternidade cristãs.

Citado do livro "Quer agrade Quer desagrade" do Pe. Fernando Arêas Rifan, disponível para baixar no Especial Campos do Site da FSSPX do Brasil