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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A respeito do Concílio Vaticano II




A Igreja Católica, no Natal de 1961, anuncia o que seria um dos maiores acontecimentos dos últimos tempos de sua existência: o Concílio Vaticano II que teve sua convocação no dia 25 de janeiro de 1962 pelo Papa João XXIII que quis e fez o seu encaminhamento. O término já foi com o Papa Paulo VI, que aceitou e o levou adiante até a sua conclusão em 8 de dezembro de 1965, nesse processo de mudanças e a posterior consolidação pelos Papas João Paulo II e o atual Papa Bento VI.
João XXIII assume o papado em uma situação bastante difícil pós-guerra, formação dos blocos  do EUA, da União Soviética, o surgimento das reivindicações sociais e a revisão da mensagem evangélica. Era chamado de um Papa simples que ia à praça dialogar com os fiéis e sempre dizia que gostaria de ser um simples padre do interior. Ao mesmo tempo que era bondoso se tornava rigoroso quando necessário, sendo mais decidido, a sua simplicidade e humildade o tornavam vigoroso e transparente, procurava sempre em suas homilias citar as bem-aventuranças (MT 5,1-11), os pobres e artesões da paz.
Todos os concílios anteriores tinham como objetivos mostrar onde se encontrava a fé católica. O Concílio Vaticano é um Sínodo Teológico. Havia na época três correntes predominantes no mundo teológico: a) A Teologia Tomista, conservadora, onde os teólogos viam São Tomás de Aquino como um grande tesouro para a Igreja; b) A Teologia das Fontes, formada por teólogos, que acreditavam nas riquezas da Igreja presentes na Patrística, na Bíblia e na liturgia deveriam ser recuperadas. Embora, todos os teólogos venerassem são Tomás de Aquino; c) A  Teologia Moderna voltada par o mundo moderno, onde os teólogos queriam um diálogo com o mundo. Que a igreja falasse uma linguagem que os homens e mulheres compreendessem. Cito por exemplo o documento OPtatam Totius sobre a formação sacerdotal, este documento mostra que o equilíbrio entre essas correntes foram alcançados.
Conforme as palavras do beato João XXIII, o Concílio Vaticano II foi convo-cado para: “Oferecer uma possibilidade de suscitar em todos os seres humanos, pensamentos e propósitos de paz: Provenientes das realidades espirituais e sobrenaturais da inteligência e da consciência humana, iluminadas e guiadas por Deus, criador e redentor da humanidade.”
A modernização da Igreja e o atraimento dos cristãos afastados da religião. O Papa passa a dividir parte de seu poder com os cardeais e gerou transformações e a ideia de que, por meio de outras religiões é possível conhecer a Deus e a salvação. Os frutos foram surgindo citamos, por exemplo, a celebração da eucaristia na língua de cada povo ou nação e voltada para os fiéis. O ecumenismo e as relações com outras religiões, a participação de vários cientistas do mundo, na academia de Ciências do vaticano, deu maior liberdade aos teólogos para interpretar a Bíblia, principalmente para nós da América latina com a teologia da libertação e a formação das comunidades de Base, sendo que um número muito pequeno  de algumas comunidades foram usadas por políticos partidários e oportunistas.
As constituições do Vaticano II: Dei verbum, Lumen Gentium, Sacrosanctum Concilium; e Gaudium et Spes. As declarações: Dignitatis humanae, Nostra Aetate, Gravissimum Educationis. 
Os decretos: Ad Gentes, Optatam Totius, Perfectae Caritatis, Christus Dominus, Unitate Redintegratio, Orientalium Ecclesiarum e Inter Mirifica, Presbyterorum Ordinis, Apostolicam  Actuositatem. Esses documentos foram escritos inicialmente nas línguas: Alemão, Belorrusso, Chinês, Espanhol, Francês, Hungaro, Inglês, Italiano, Latim, Português, Swahili, Tcheco.
A Igreja continua valorizando a vida em todos os sentidos, condenando o aborto, apoiando a família e condenando o capitalismo e o consumismo. A continuidade das aplicações das decisões ficou a cargo de João Paulo II, que reconheceu os erros cometidos pela  Igreja no passado  durante estes 2000 anos de história da Igreja, incluindo o julgamento de Galileu Galilei pela inquisição.
Levou a evangelização dos ensinamentos de Jesus Cristo em todo o mundo, que lhe deram o nome carinhoso de o Papa Peregrino e a aqui no Brasil de João de Deus, inclusive a nossa Goiânia foi agraciada pela sua visita missionária e apostólica e lutou bastante pela queda do muro de Berlim, respeitado por todos os chefes de nações e por todas as religiões.
A Igreja está sempre atualizada e dando abertura para as necessidades da vida pós-modernidade. É verdade que no final do século XX e no início do século XXI, alguns Cardeais chegaram solicitar um novo Concílio, por exemplo, o Cardeal de Milão, no Sínodo dos Bispos europeus na década de noventa e no Brasil e na América Latina em 2002. Esta ideia foi reforçada por alguns cardeais e depois não levaram adiante por acharem que não era viável, porque o atual episcopado era de perfil conservador. Muitos problemas apresentados continuam presentes  ainda hoje na sociedade e há contraversão, carecendo de reflexão e debates.
Urgem eventuais exageros e adaptar a legislação da Igreja às circunstâncias e exigências do mundo de hoje e várias polêmicas. Cito por exemplo, os milhares de padres afastados de suas celebrações por se casarem, lembrando que o clero é constituído por ministros sagrados que receberam o Sacramento da Ordem.  Será sempre Padre, não existe ex-padre, sendo que muitos continuam engajados em suas comunidades com suas esposas e outros a espera de sua liberação, discute-se a longa demora da liberação para o matrimônio.
O Papa João Paulo II começou a renovar o rosto da Igreja criando a JMJ (jornada Mundial da juventude) e o Papa Bento XVI dando continuidade ao trabalho que realizará em 2013 no Rio de Janeiro a JMJ, cuja campanha bote fé, foi lançada neste ano em nossa arquidiocese “A Cruz de Jesus como Caminho de Esperança”, em preparação para o encontro  do próximo ano. Fé é o encontro com o Senhor, é a experiência da caminhada em comunidade, é a adesão a Jesus Cristo. E a Igreja viva militante é a depositária dessa fé. Ela é o sacramento de Cristo e instrumento de união do homem com Deus, e da unidade de todo gênero humano. No dia 11 de outubro deste ano o Papa Bento XVI proclamou o “Ano da fé” alusivo aos 50 anos do CVII, para que os leigos busquem aprofundar mais na fé cristã católica. Diante dos desafios atuais é um tempo de conversão a Deus, de revigorar nossa fé no Cristo Ressuscitado e reafirmar nosso compromisso com a missão evangelizadora de discípulos e missionários através do batismo.
OS Bispos do Brasil, do Episcopado Latino Americano e do Caribe, com a presença de Bento XVI reunidos em Aparecida passa a priorizar em todas as dioceses o envolvimento de todos os católicos leigos na participação da vida da Igreja, nas várias pastorais enfatizando a participação das mulheres. A assumir o compromisso de batizado, pois, através do batismo somos inseridos na Igreja viva dando inicio a vida cristã e começando nossa missão de discípulos e missionários levando a palavra de Deus através da Bíblia ou da escuta da mesma, ela que anima toda vida pastoral.
“Meu Pai é glorificado quando produzis muito fruto e vos tornais meus discípulos”(Jo 15,8).
Recebo críticas construtivas de colegas Pastores ex-alunos, sobrinho e compadre, sempre batendo na mesma tecla, professor o que é católico de carteirinha? Digo que seria os católicos não praticantes, que aparecem só em momentos sociais de  batizados, mortes ou casamentos. São católicos que não assumem o seu compromisso perante a Igreja.
É justamente isto que o Papa Bento XVI, os Bispos do Brasil, da América Latina e do Caribe repassaram para as dioceses de todo o Brasil, que estão empenhadas em levar o discernimento e o envolvimento de todos os católicos na participação da vida da Igreja, de estar em sintonia com o Papa, respeitando a sua autoridade, missão e a hierarquia de seus membros que desempenham a função de governar na fé e de guiar nas questões morais e de vida cristã aos fiéis católicos. Ter conhecimento do Catecismo da Igreja Católica, dos dez mandamentos, dos sacramentos, dos documentos citados e os novos, de rezar e meditar o Creio, o Pai-Nosso e demais orações, de ter experiências e vivenciar a vida em comunidade, através de seu testemunho e de difundir os ensinamentos de Jesus Cristo. Fazer com que todos os católicos lêem os documentos que são desconhecidos, de mudar o modo de escutar a palavra, discernir os sinais dos tempos, de ter acesso à interioridade de fé de vida em Cristo.
Toda a Igreja está voltada para Jesus Cristo e a serviço de toda a humanidade. No templo ocorre o encontro de comunidades onde todos estão a serviço da vida. A Igreja ou comunidade é suscitada por Nosso Senhor Jesus Cristo, através dos dons, dos carismas. O Carisma de nossa missão é servir, ter cuidado com o orgulho próprio (egoísmo), com a vaidade. O servir tem que ser com humildade, que é transparência e verdade. A Igreja perpetua através de sua evangelização, o carisma pode estar presente numa pessoa (individual) ou num grupo (comunitário).
Na comunidade, toda a ação provém do Pai, todo o serviço provém de Jesus Cristo e todos os dons e carismas provêm do Espírito Santo. Cada dom recebido deve ser colocado a serviço de todos, como dom gratuito para o bem de cada comunidade e de cada pessoa humana.
O engajamento de todos nas diversas pastorais aproveitando os seus dons e carismas, cada qual escolhendo a pastoral que lhe sinta bem e útil em poder servir. Citamos a catequese (Batismo, Eucaristia, Crisma), cursos bíblicos, de grupos e encontros de jovens, de noivado, de casais; na liturgia: Da acolhida, dos acólitos, dos animadores, dos leitores, da cantoria, dos ministros da eucaristia; dos grupos de orações, dos grupos de visitas a doentes, dos ministros da esperança, da criança, da saúde, dos imigrantes, do sopão, dos enxovais para gestantes das pessoas carentes, da terra: Sem terra, sem moradia, dos excluídos, dos vicentinos, da liga Católica, do apostolado da oração, dos carcerários, dos povos de rua, enfim  atividades é que não faltam.
A decisão é sua! De viver e ter experiência de vida em comunidade, vida de doação, e procurar ser sempre santo, isto é, ser  honesto, dar bom exemplo de vida na comunidade, no trabalho, no lazer, no lar, lembrando também que somos seres humanos estamos sujeitos a tropeçar, porque somos pecadores. Somos chamados à santidade e a santidade de cada um vai  depender dos atos, ações e atitudes de cada um,  em dar testemunho de vida.
“Que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz”. E também para que esta doutrina atinja os múltiplos níveis das atividades humanas: os indivíduos, a família e a vida social do século XXI, de voltar para as novas condições de vida introduzidas no mundo que abriram novos caminhos para o apostolado de cada cristão.
A Evangelização deve pregar e levar a palavra de Deus de todas as formas e meios de comunicação, pela internet e nos templos, pois Deus se faz presente, no local em que a comunidade está presente.  Na nossa Arquidiocese  podemos citar o exemplo do Pe. Robson de Oliveira da CSsR., que com sua equipe está evangelizado em todo Brasil e em alguns Países, levando  o nome da Trindade Santa ,o Deus único, que é Pai, que é Filho, que é Espírito Santo. Difundindo o reino do Divino Salvador que é da verdade, da justiça, do amor e da Paz. “Quem acolhe a Palavra tem o poder de tornar-se filho de Deus, filho gerado não pela carne ou pelo querer do ser humano, mas do próprio Deus” (Jo 1,12ss).
Cujo Templo consagrado leva o nome de Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, localizado na cidade de Trindade, que passou a desenvolver, movimentar na parte turística e comercial devido a grande chegada de devotos diariamente para o encontro de várias comunidades para a celebração Eucarística no Santuário Basílica, para adorar, para louvar, bendizer, agradecer e pedir bênçãos ao Divino Pai Eterno, renovando a esperança e fortalecendo na fé.
Parabéns a todos os católicos por este grande acontecimento dos 50 anos do Concílio Vaticano II e que o Emanoel “Deus conosco” envie seu Espírito sobre todos os cristãos, não cristãos, enfim para toda a humanidade para que haja a paz, a justiça, a verdade em cada ser humano e que todos possam  viver em harmonia com dignidade e alegria. E que neste natal o Verbo encarnado nos abra os nossos corações e nos ilumine em nossa caminhada.

(Gumercindo Alves da Silva Zate-Gugu, professor de Biologia,