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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O misticismo Cristão


“O misticismo cristão distingue-se dos outros misticismos porque tende a ser democrático enquanto que os outros são aristocráticos. O neófito moderno encontra-se possuído pela ideia de que se ergue no mundo espiritual. É uma ambição digna de um merceeiro que quer ser baronete. No mundo espiritual um homem tem que se humilhar para ser exaltado. Existe muito deste snobismo místico sobre preparação, purificação e iniciação. Trata-se de furtar um caminho a outros para obter a posse da verdade, não porque seja óbvia, mas por ser secreta.
O facto de tantos estudantes modernos do transcendente possuírem o desejo de pertencer a uma aristocracia espiritual, de se sentar em tronos pelos quais há que competir, tal como com os lugares de um governo, é uma prova simples e suficiente de que não possuem em si mesmos sequer os rudimentos da espiritualidade. O misticismo cristão obedece ao princípio de que a vida moral não é um puzzle egoísta no qual o diabo geralmente apanha a pessoa mais confiante em si própria.
A verdadeira chave do misticismo cristão não é tanto a entrega, que é dolorosa e complexa, mas mais o esquecer-se de si, tal como o experimentamos em presença de um nascer do sol ou de o rosto de uma criança, o qual é para nós tão natural como cantar a um passarinho.”
G, K. Chesterton, O Mistério dos Místicos, Daily News, 30.08.1901.
Tradução de António Campos, Presidente da Sociedade Chesterton Portugal.

Tudo é uma posição da mente, e neste momento estou em uma posição confortável. Vou sentar-me e deixar que as maravilhas e aventuras pousem em mim como moscas. Há muitas delas, garanto. O mundo nunca sofrerá com a falta de maravilhas, mas apenas com a falta da capacidade de se maravilhar.
– G. K. Chesterton


"Onde há vontade, há um Caminho"