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domingo, 27 de março de 2016

A misericórdia salvará o mundo - ​O desejo de vingança do homem e a resposta de Jesus na cruz


«Deus faz-se justiça, praticando a misericórdia!»: eis o conceito central da meditação do pregador da Casa Pontifícia, padre Raniero Cantalamessa, durante a celebração da Paixão do Senhor presidida pelo Papa Francisco na tarde de 25 de março, Sexta-feira Santa.

«Chegou o momento de nos darmos conta – disse o capuchinho – que o contrário da misericórdia não é a justiça, mas a vingança. Jesus não opôs a misericórdia à justiça, mas à pena do talião: “Olho por olho, dente por dente”. Perdoando os pecados, Deus não renuncia à justiça, renuncia à vingança; não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva (cf. Ez 18, 23). Jesus na cruz não pediu ao Pai que se vingasse a sua causa».
O pregador referiu-se aos trágicos acontecimentos dos dias passados e explicou: «O ódio e a ferocidade dos atentados terroristas desta semana em Bruxelas ajudam-nos a compreender a força divina contida naquelas últimas palavras de Cristo: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34). Por muito que o ódio dos homens se possa expandir, o amor de Deus foi, e será, sempre mais forte». E acrescentou: «Devemos desmitizar a vingança! Ela tornou-se um mito invasivo que contagia tudo e todos, começando pelas crianças. Grande parte das histórias projetadas pelos écrans e dos jogos eletrónicos são histórias de vingança, apresentadas como vitória do herói bom. Metade, ou até mais, do sofrimento que existe no mundo (quando não se trata de males naturais) vem do desejo de vingança, quer nas relações entre as pessoas quer entre os Estados e os povos.
Alguém disse que «o mundo será salvo pela beleza»; mas a beleza pode levar também à ruína. Há uma só coisa que pode salvar deveras o mundo, a misericórdia!».
"Onde há vontade, há um Caminho"