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quinta-feira, 13 de abril de 2017

“Oh Cruz de Cristo”. – Papa Francisco






“Oh Cruz de Cristo, símbolo do amor divino e da injustiça humana, ícone do supremo sacrifício por amor e do extremo egoísmo por loucura, instrumento de morte e via de ressurreição, signo da obediência e emblema da traição, patíbulo da perseguição e estandarte da vitória.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo levantado em nossas irmãs e irmãos assassinados, queimados vivos, degolados e decapitados pelas espadas bárbaras e silêncio infame.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos rostos das crianças, das mulheres e das pessoas extenuadas e amedrontadas, que fogem das guerras e da violência, e que com frequência só encontram a morte e tantos Pilatos que lavam as mãos.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos doutores da letra e não do espírito, da morte e não da vida, que em vez de ensinar a misericórdia e a vida, ameaçam com o castigo e a morte e condenam o justo.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos ministros infiéis, que em vez de se despojarem de suas próprias ambições, despojam inclusive os inocentes de sua própria dignidade.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos corações endurecidos dos que julgam comodamente os demais, corações dispostos a condená-los inclusive ao apedrejamento, sem fixar-se nunca em seus próprios pecados e culpas.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos fundamentalismos e no terrorismo dos seguidores de certa religião, que profanam o nome de Deus e o utilizam para justificar sua inaudita violência.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos que querem retirar-te dos lugares públicos e excluir-te da vida pública, em nome de um certo paganismo laicista ou inclusive em nome da igualdade que tu mesmo nos ensinaste.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos poderosos e nos vendedores de armas, que alimentam os fornos da guerra com o sangue inocente dos irmãos.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos traidores, que por trinta denários entregam à morte qualquer pessoa.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos ladrões e nos corruptos, que em vez de salvaguardar o bem comum e a ética, se vendem no miserável mercado da imoralidade.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos tolos, que constroem depósitos para conservar tesouros que perecem, deixando que Lázaro morra de fome em suas portas.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos destruidores de nossa “casa comum”, que com egoísmo arruínam o futuro das gerações futuras.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos idosos abandonados por seus próprios familiares, nos incapacitados, nas crianças desnutridas e descartadas por nossa sociedade egoísta e hipócrita.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo no nosso Mediterrâneo e no Mar Egeu, convertidos em um insaciável cemitério, imagem de nossa consciência insensível e anestesiada.

Oh Cruz de Cristo, imagem do amor sem limite e via da Ressurreição, ainda hoje continuamos te vendo nas pessoas boas e justas, que fazem o bem sem buscar o aplauso ou a admiração dos demais.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos ministros fieis e humildes, que iluminam a escuridão de nossa vida, como candeias que se consomem gratuitamente, para iluminar a vida dos últimos.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo no rosto das religiosas e consagrados – os bons samaritanos – que deixam tudo para fazer curativos, no silêncio evangélico, nas chagas da pobreza e da injustiça.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos misericordiosos, que encontram na misericórdia a expressão mais alta da justiça e da fé.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nas pessoas sensíveis, que vivem com alegria sua fé nas coisas ordinárias e no fiel cumprimento dos mandamentos.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos arrependidos, que desde a profundidade da miséria de seus pecados, sabem gritar: “Senhor, lembra-te de mim quando estiveres em teu reino!”

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos beatos e nos santos, que sabem atravessar a escuridão da noite da fé, sem perder a confiança em ti e sem pretender entender teu silêncio misterioso.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nas famílias que vivem com fidelidade e fecundidade sua vocação matrimonial.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos voluntários que socorrem generosamente os necessitados e maltratados.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos perseguidos por sua fé, que com seu sofrimento seguem dando testemunho autêntico de Jesus e do Evangelho.

Oh Cruz de Cristo, ainda hoje continuamos te vendo nos sonhadores, que vivem com um coração de meninos e trabalham cada dia para tornar o mundo um lugar melhor, mais humano e mais justo.

Em ti, Cruz Santa, vemos a Deus, que ama até o fim, e vemos o ódio que domina e cega o coração e a mente dos que preferem as trevas à luz.

Oh Cruz de Cristo, Arca de Noé que salvou a humanidade do dilúvio do pecado, livra-nos do mal e do maligno. Oh Trono de Davi e selo da Aliança divina e eterna, desperta-nos das seduções e da vaidade. Oh grito de amor, suscita em nós o desejo de Deus, do bem e da luz.

Oh Cruz de Cristo, ensina-nos que o amanhecer do sol é mais forte que a escuridão da noite. Oh Cruz de Cristo, ensina-nos que a aparente vitória do mal se desvanece perante o túmulo vazio e frente à certeza da Ressurreição e do amor de Deus, que nada poderá derrotar, ou obscurecer ou debilitar. Amém.”
Papa Francisco - ROMA, 25 Mar. 16


 

"Onde há vontade, há um Caminho"

"O Homem Eterno", Chesterton defende que o fim da história humana foi o calvário.




Se por "fim" estamos falando da finalidade, ou o encerramento, cabe ao leitor descobrir.
"E não é fácil para quaisquer palavras menos duras e simples que as da despojada narrativa sequer sugerir o horror da elevação que se exibiu sobre a colina. Intermináveis exposições não a exauriram, nem sequer começaram a expressá-la. E se existir algum som capaz de produzir um silêncio, com certeza poderemos guardar silêncio sobre o fim e a hora extrema; quando um grito foi ouvido saindo daquela escuridão com palavras terrivelmente distintas e terrivelmente ininteligíveis, que o homem nunca haverá de entender durante toda a eternidade que elas para ele adquiriram; e por um instante aniquilador um abismo que não cabe em nossa cabeça se abrira exatamente na unidade do absoluto.
E Deus fora abandonado por Deus"
Uma boa semana santa a todos!
 

"Onde há vontade, há um Caminho"